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História de pescador

Peixe com 1,20m foi pescado ontem, perto da Ponte das Garças. Animal teria fugido há 10 anos de parque aquícola da Caesb

Parece conversa de pescador, mas Eron de Almeida, 44, pode espalhar à vontade a história da carpa prateada que tirou ontem das águas do Paranoá. Com 1,20m e 27kg, trata-se do maior peixe encontrado no Lago. A façanha se deu às 4h, próximo à Ponte das Garças — aquela próxima ao Centro Comercial Gilberto Salomão. Em uma canoa azul e acompanhado do pai, Manoel de Almeida, 63, ele conta que fazia um dos vários lançamentos da tarrafa (rede de pescar), quando atingiu o grande peixe, uma fêmea. "Quando veio à superfície, só pensei: agora não tem mais pra ela, é minha", lembra, orgulhoso, o pescador com 20 anos de experiência.

Diante da força do animal, que relutou em ficar entre as redes e por diversas vezes teria ameaçado virar o barco, o pescador usou um pedaço de pau para matá-lo. "Não se pode medir força com um bicho desse tamanho. Esperei 15 minutos para ele se acalmar e consegui dar uma paulada na cabeça dele", conta Eron.

Apesar de trabalhar no programa da Caesb de biomanipulação — manejo dos peixes para a melhoria da qualidade das águas — e conhecer a raridade da espécie, que só se reproduz em laboratório, o pescador colocou a carpa na garupa da moto e seguiu para Ceilândia, onde vive e pretendia vender o achado.

Uma breve ligação para o amigo e gestor ambiental Israel Laurindo de Sousa, 40, mudou os planos do pescador. "Ele me ligou para contar e eu corri para encontrá-lo. Esse peixe não poderia ir para um mercado", justifica o amigo. Morador do Cruzeiro, Laurindo levou o peixe para casa por R$ 150 e promete conservá-lo. "O peixe será dissecado e embalsamado. Ficará exposto na minha sala de estudos", diz o comprador. Antes desse, o maior peixe encontrado no Lago Paranoá, há dez anos, pesava 15kg e media 1m.

Peixes da faxina

A espécie carpa prateada foi trazida para o Distrito Federal há cerca de 15 anos, pelo programa de biomanipulação do Lago Paranoá. As carpas se alimentam de algas e matéria orgânica, atuando como removedoras de impurezas.

O superintendente da Caesb e coordenador do programa, Fernando Starling, estima que o peixe gigante teria fugido do parque aquícola há 10 anos — como o animal engorda entre 1kg e 2kg por ano, precisaria de uma década para chegar aos 27kg atuais. Desde então, teria sobrevivido entre a Ponte das Garças e a estação de tratamento da Caesb, a área suja do lago. "Eles só crescem onde há detritos e aqui na estação Sul estão os 3% da água ainda poluída", conclui.

Os peixes são colocados em um das 30 gaiolas submersas ainda pequenos, com cerca de 4g. Com um ano e 2kg, eles são processados e transformados em comida. Segundo Starling, a carpa é utilizada para fazer kani, nuggets e salsichas, por exemplo. Apesar de originária da Ásia, a carpa prateada é cultivada em laboratórios brasileiros. E os pescadores podem ficar animados: há muitos outros peixes que fugiram no mesmo período que a fêmea de 1,20m. Ou seja, um outro recorde pode aparecer em breve.

Fonte: Correio Braziliense

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