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Capítulo 3
Frog Head Key – Um aventura de mergulho

“O que aquele barco está fazendo aqui?” Snake perguntou para Tommy e Billy. Ele tinha subido numa árvore onde podia observar a ilha quando percebeu isso. Ele nunca tinha feito nada para ninguém antes da noite anterior, mas eles estavam preparados para se assegurar que nínguem iria se aproximar de sua operação.

“Eu não sei, Snake. Você quer que eu cuide deles como fizemos com aquele barco, ontem a noite?” Perguntou Billy. Disparar o míssil na noite anterior tinha sido bastante divertido. Ele estava louco para fazer isso novamente.

“Não, aqueles caras da noite passada viram o nosso armazem do outro lado da ilha. Esses caras parecem ser apenas mergulhadores. Vou assustá-los quando voltar para buscar suprimentos. Vamos precisar de agua doce e açucar além das sementes para manter isso funcionando. Voces dois, continuem o trabalho. Quando eu voltar, quero ver esse lugar arrumado e funcionando novamente” ordenou Snake.

Jackson e Kia sentiram o impacto das águas mornas da Corrente do Golfo envolvendo seus corpos. Assim que fizeram os últimos ajustes após a entrada na água, fizeram o sinal de ‘OK’ e começaram a descer. Eles podiam ver claramente o recife de coral debaixo deles e o contorno do fundo. Jackson sabia a direção de onde devia estar o problema mas, ignorou isso por um momento. Ele ouvia o som de sua própria respiração enquanto exalava lentamente pelo seu regulador, as bolhas faziam um som característico a medida que corriam pelo seu rosto.

Ele se sentia relaxado, apesar do objetivo do mergulho. Havia algo errado e ele tinha a impressão que estava no meio daquilo mas, Jackson permitiu se deixar levar pelo ritmo familiar de seus mergulhos. Ele podia sentir a passagem das ondas sobre eles, causando um movimento de ir e vir em direção à ilha. A visibilidade estava péssima de um dos seus lados mas, muito boa a cerca de um metro distancia apenas. Eles ainda estavam acima daquilo que estava provocando esse problema e tudo que ele podia ver abaixo eram como nuvens de água turva.

A medida que equalizava os ouvidos, Jackson via Kia descendo. Ele tinha mergulhado com ela algumas vezes, não tanto quanto gostaria. Ele tinha colocado ela para trabalhar assim que ela chegou, sem ter tido oportunidade de observá-la melhor. O que ele tinha visto antes e todas as recomendações recebidas diziam que ela era uma líder de mergulho muito bem preparada. Os turistas a adoravam.

Vestindo apenas um biquini sob o equipamento de mergulho, Jackson se desconcentrou momentaneamente. Ele olhava para suas pernas longas, macias e bem definidas deslizando pela água e apreciava aquela visão. Ele continuava assim até que ela se virou para chamar a sua atenção e se deu conta daquilo. Ela parecia ter percebido onde estavam os pensamentos dele, porque ela deu um sorriso engraçado antes de apontar para a origem do problema. Uma nuvem tenue de agua turva estava saindo de uma mangueira, diretamente no recife. Ambos fizeram o possível para ficar fora do fluxo mas chegaram tão próximos quanto possível. A mangueira vinha da superfície, na direção da ilha.

Jackson e Kia nadaram ao longo da mangueira, vendo ela se torcer de um lado para outro. Jackson se movia para frente cautelosamente. Ele queria coletar uma amostra da água. Ele também sabia que se aquela nuvem de água turva fosse tóxica, ele poderia ter problemas. Ele não usava nenhum tipo de proteção, além de uma camiseta e ‘shorts’. Kia protestava ter que usar qualquer tipo de roupa de mergulho, dizendo que gostava de sentir o contato da água com seu corpo. Nenhum deles estava preparado para lidar com produtos tóxicos.

Com extremo cuidado, Jackson moveu o frasco aberto na direção do fluxo que saía da mangueira. Ele teve que chegar bem próximo para que a mistura não ficasse tão diluída, mas ele não podia chegar tão próximo ou o frasco seria arrancado de sua mão. Puxando o frasco de volta, ele colocou rapidamente a tampa para capturar a amostra.

Assim que se afastaram da mangueira, Jackson ouviu o som inconfundível de um barco se aproximando do Daydreamer. Ele olhou para cima e viu um barco pequeno se aproximar do seu. Frog Head Key era uma ilha bastante remota e ele sabia que aquilo não era uma coincidência. Ele sinalizou para Kia e começaram a subir. Assim que chegaram na superfície, Jackson percebeu que sua intuição estava correta.

“Eu disse para vocês saírem daqui. Esta área está proibida para mergulhadores. Eu trabalho para a Fish and Wildlife Commission. Se vocês não saírem agora, vocês terão grandes problemas,” disse o estranho no barco desconhecido.

“Um momento apenas, senhor. Temos dois mergulhadores na água. Não podemos apenas ir embora sem eles. Assim que voltarem para a superfície, vamos arrumar nossas coisas e ir embora. Não fique tão irritado,” disse Jake, sem entender muito bem para onde aquela situação estava se encaminhando.

“Eu não estou ligando para o que vocês precisam fazer, eu disse que vocês tem que ir embora agora. Caso contrario, vou aprender o barco e levar todos voces para a cadeia. Que acham disso?” continuou falando o estranho. “Eu disse que quero vocês longe daqui.”

“Procure entender…” Jake começou a falar.

“Tudo bem, Jake,” interrompeu Jackson ainda na água, nadando para a escada instalada no bordo da Daydreamer. Estamos de volta do mergulho. Se esse homem deseja que a gente vai embora, nós iremos. Não queremos causar nenhum problema.”

“Mas, Jackson, esse cara disse…” replicou Jake.

“Não Jake. Realmente está tudo bem. Kia e eu estamos de volta. Podemos ir embora agora. Não sabíamos que não podíamos mergulhar aqui,” continou Jackson, procurando manter a voz calma a medida que se virava para o outro barco. “Pedimos desculpas ao senhor. Foi um erro mergulhar aqui e nunca voltaremos aqui novamente.”

“É melhor que isso não se repita” disse o homem. “Agora peguem suas coisas e saiam daqui. Eu vou ficar observando vocês até irem embora.”

Sem outras palavras, o homem ligou os motores do seu barco e se afastou uns 100 metros, então desligou os motores e ficou observando os mergulhadores para se assegurar que eles iriam embora.”

“Que diabos foi aquilo, Jackson? Se aquele cara é do FWC, eu sou o Pato Donald,” disse Bo. “Porque voce não disse isso para ele e mandou ele embora.”

“Exatamente por ele não ser da FWC e querer a gente longe daqui. Qualquer um que deseja ameaçar quatro pessoas num barco maior e mais rápido sabe de alguma coisa que não sabemos. Está acontecendo alguma coisa aqui,” explicou Jackson. “Discutindo ou brigando com ele não vai nos ajudar a descobrir.”

Jackson e Kia descreveram a mangueira bombeando a água imunda que estava provocando a proliferação de algas. Jackson mostrou o frasco com a amostra da água coletada que estava escondida no seu colete equilibrador. Assim que eles se desequiparam, ele ligou os dois motores da Daydreamer e se foram no rumo de Withrow Key, deixando o estranho na esteira da lancha.

“Se ele estivesse armado e nós não pudessemos voltar para avisar, de que isso teria adiantado?” Kia disse isso enquanto os quatro conversavam na cabine de comando. “Precisamos informar alguem de verdade da Fish and Wildlife sobre o que está acontecendo aqui.”

“Vai demorar a vida toda antes que alguém venha aqui e investigue. Vamos voltar a noite se ver o que está acontecendo. Podemos ver e conseguir algumas provas, “ disse Jake.

“Não. Você não vai voltar aqui,” disse Jackson, alongando seu corpo de 1,75 m. Ele era menor e mais velho que ambos mas queria que eles não tivessem duvidas de quem estava no comando. “Eu tenho alguns contatos e vou informá-los sobre o que observamos. Eu não quero vocês dois nessa área. Entenderam?”

“Sim. Tudo bem, “ concordou Bo, sem olhar para Jackson.

“Se voce preferir não encarar isso, tudo bem,” disse Jake sem demonstrar convicção.

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